Me sinto isolado, preso em mim mesmo.
Não compararia com um salão com um espaço limitado e temporal, desses “reais” mas um universo estranhamente infinito.Interno.
Talvez “espaço” seja só o conceito mais próximo pra explicar esse vácuo completamente cheio, cheio de “eu”.
Talvez o único universo “real” que só provo pela lógica dele próprio. Só faz sentido dentro dele. Ele próprio não existe fora dele, Não se vê de outro lugar se não de dentro(se é que um infinito tem fora),não como uma bolha que bate meio a outras, simplesmente não existe na “realidade” .
Vago nesse universo privado sem corpo, flutuo meio as idéias, e ao mesmo tempo em que sou meu universo o enxergo de dentro, sou a linguagem de mim mesmo, ajusto meu foco e minhas idéias gasosas e turvas tornam se sólidas, e me misturo com elas enquanto eu sem forma admiro a única coisa que me liga ao mundo externo. Uma pequena e bizarra “janelinha” meio embaçada. Lá fora tem um mundo físico, limitado, sem muito sentido,e o pouco sentido que faz criei aqui. Um mundo extremamente distante, onde não me compreendo, eu me vejo preso em um corpo limitado cercado por milhares de outros corpos e imagino que “dentro” deles existam universos como o qual vivo. Infinitos outros(infinito infinitos) E dentro deles coisas como as que sou.
Minha dor é não poder compartilhar essa minha vida (essa dor),talvez a única real, é saber que nunca sairei daqui e nunca ninguém poderá conhecer isso onde sou. É continuar vagando meio aos detritos de mim e não saber se existe realmente um fora , se aquela janela é real. E saber que o que sinto aqui jamais sairá daqui, porque por mais que eu tenta sinalizar para as outras possíveis “janelinhas”, lá fora nada faz sentido e o sentido que faço não se faz fora de mim... tenho a impressão que ninguém fala a mesma língua que eu, e que minha própria língua foi eu que criei.
Estranhamente essa “janela” que me faz o contato com esse universo talvez inferior me fez possível. Essa medonha “janela” interna é a única iluminação , e ao mesmo tempo que me intriga e me seduz me causa pânico. Miro aos lados e não vejo fim , mas jamais me movo a perder essa janela de vista,esse único ponto fixo. Talvez esse pânico me prove a existência, talvez um dia eu ouse me perder. Talvez a angustia da existência solitária me faça sentido suficiente para me perder o sentido dessa “janela”.
Essa idéia de um universo dentro de nós é intensa. Acredito que o meu universo é incogniscível, assim como você acredita que o seu o é.
ResponderExcluirMas uma coisa vem para nos libertar: a linguagem! É ela que permite abrir esse universo para outros universo e colidirem sem precedentes e sem medo de se esgotarem. É na linguagem que o novo se faz presente... é na linguagem que existe a mudança... é na linguagem que está meu carnaval. E de todos os outros universos!
Por mais que não compreendamos, esse momento é o momento em que o meu universo colide com o seu e se materializa nesse comentário. Estou logo ali, acene da sua janela que eu consigo te ver... a janela existe! E sempre olhe para ela, estarei sempre a fazer desenhos depois de dar uma baforada para deixar-lá embaçada!
Abraço!
Um adendo ao comentário do neto; outra coisa vem para realmente nos libertar: a verdade. Muito além da linguagem ou qualquer outra forma de assinar uma lei áurea contemporânea, a verdade, quando a conhecemos, é o que nos liberta. A única janela que consigo enxergar, agora sem baforadas "embaçantes", é uma grande janela, quase que sem vidros (ou com vidros imperceptíveis), que dão de frente para um grande campo tranquilo, musical e alegremente doce... crianças
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