quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mal-Estar na Civilização

#faculdade/, Após a leitura do Cap. II e III de O mal-estar na Civilização (FREUD, S. ESB. Vol. XXI)(porque a pretensão do homem em buscar a felicidade pertence ao campo do impossível?)

Durante todo o texto Freud discursa sobre a ineficiência do homem em encontrar para si resposta correspondente à sua angustia, discorre sobre o desenvolvimento científico da civilização nos últimos tempos e os valores morais mutáveis de acordo com as culturas. Sem ignorar a unidade que é cada ser, o sofrimento soa estrutural de toda civilização. Caracterizado pela busca do homem pelo poder, seja sobre outro homem seja sobre a natureza. Criando e se escravizando à necessidades desnecessárias, existentes no momento apenas porque agora “podem” existir.

A religião é colocada como uma “auto-alienação” da realidade e legitima resposta ao sofrimento, uma busca em um por vir merecido após tanto sofrer em favor de um deus. De mesmo modo é colocado a crença em que o conhecimento adquirido através da percepção e da lógica trará respostas de maneira que alivie a angustia. Mas a história prova que o conforto substitui a realidade mas não a elimina . O poder sobre a natureza só nos torna realistas, e diante da realidade , o sofrimento justifica a auto intoxicação, seja por pensamentos que fogem a realidade ou químicas que distanciam a percepções humanas da mesma.

Assim sendo o homem refém de sua criação,(aqui cabendo “cria” e “história”) se constitui em parte de suas moralidades e leis que regulam as relações pessoais, aprisionando nesse processo de educação da “primitividade” do Homo Sapiens. As punções primitivas inerentes à existência fisiológica reprimidas pela lei e pela própria linguagem constituem em energia sem nome. A necessidade de um sentido se responsabiliza pela frustração. O processo de educação de um animal para se tornar humano é estruturalmente dolorido, engole-se a força o desejo, e renuncia-se a vida para o corpo, para agora buscar um sentido num mundo tão polissêmico quanto vazio.

Menck, Filipe.